Para quem não conhece, farei uma
pequena resenha sobre Beelzebub, um mangá com uma temática de certa forma
simples, mas que me chamou a atenção pela criatividade do enredo (mais do que
puramente pela pancadaria).
Tudo começa quando somos
apresentados ao jovem delinquente Oga Tatsumi, badboy brigão do colégio, curte
uma treta, mal educado, péssimas notas. O típico modelo de personagem mal
encarado que logo no início desperta uma certa admiração por parte do leitor (justamente
por fazer o papel de herói anti-herói).
Certo dia, após um a aula, Oga
fora ‘convocado’ à participar de um duelo, às margens de um rio próximo de onde
estudava.
Resolvendo a treta de forma
rápida e simples - tentando afogar o inimigo -, se depara com uma cena
estranha. Um homem alto e musculoso boiava nas águas com uma flecha cravada no
peito.
Oga pensa duas vezes e resolve
ajudar o cara. Quando o puxa para fora do lago, algo impressionante acontece: O
homem ferido se abre ao meio (estilo kinder ovo) e de dentro dele sai um
bebê!!!
Isso mesmo, um bebezinho, que
‘gruda’ em Oga.
O ser que estava aparentemente
‘morto’, se recupera e diz ser um demo. Conta ao jovem que aquele bebê é o
filho do Rei Demônio, que o enviou para o nosso planeta com o intuito de que
Beel (o bebê) pudesse destruí-lo. (Na verdade o próprio Rei Demonio queria
destruir a Terra, entretanto anda sempre muito ocupado cuidando do Meikai e por
não ter tempo, decidiu mandar o filhote fazer o serviço pesado).
Ao saber da históriam Oga tenta
se desvencilhar do pequenino, mas percebe da maior forma possível que não há
como. Beel enxergou uma força muito grande nele e por isso fez um contrato com
o humano. Nesse contrato, uma marca surge na mão de Oga e essa marca não
permite que Beel fique mais de 15 metros de distância de si, se ficar, o humano
morre.
Então para tentar fazer o pivete
sair do seu pé, ele passa a buscar alguém que seja mais poderoso que ele, mas
isso não é tão fácil assim, pois o pequeno Beel também tem que gostar dessa
pessoa e ele não curte muito outras pessoas que não sejam o próprio Oga.
Furuichi é amigo do nosso
valentão do colégio, é o primeiro a saber de toda a situação em que Oga foi
envolvido. De início não acredita muito, mas as circunstâncias o fazem crer que
a realidade é mais complicada do que se pode imaginar. É o alívio cômico da
história, sempre se dando mal em todos os sentidos que se possa imaginar (tendo
sua casa destruída, apanhando sem merecer, seus pais achando que ele é gay e
por aí vai).
Pouco depois, surge Hilda, a babá
de Beel, que tem a missão de protege-lo de todo mal. Vinda do mundo dos
demônios, é extremamente forte. De início tenta matar Oga, mas depois percebe
que isso não é possível e para ficar próxima de Beel passa a morar em sua
casa. Os Tatsumi acham que é esposa de seu filho.No começo é uma personagem muito chata, mas depois se mostra preocupada com os humanos, pois Beel nutre um sentimento especial por muitos deles.Passa a ajudar nosso herói em vários momentos importantes.
Eis o início das aventuras de
nosso herói (ou seria anti-herói), que junto de seus amigos passa a se meter em
grandes confusões.
Em questões de pancadaria, de
fato, ela rola solta durante toda a trama, sempre surgindo novos personagens
interessantes. Muitos deles aparecem como integrantes de “máfias escolares”,
que buscam arrumar altas tretas com Oga para ver quem é o mais poderoso. Em
certos momentos eles estão ajudando o protagonista e em outros estão querendo
atrapalhar seus planos. O desinteresse desses caras, por fazer parte de um lado
específico é o que torna a história engraçada em vários momentos.
Vale a pena conferir a confusão
em que Oga foi envolvido, em que deve treinar dia e noite para se tornar mais
forte e derrotar os demônios malignos que tentam destruir a Terra, cuidar de um
bebê que nem ao menos é seu filho, brigar com uma moça que todos pensam ser sua
esposa e de vez em sempre lutar no final da aula contra uns caras que aparecem
só para isso.
E se você
fosse um estudante comum e cético que vivia sua vida normal e sem
aventuras, pronto para começar o ensino médio e descobrisse que sua
colega de classe era Deus e que o mundo girava em torno dela sem que
ela soubesse? E se você acabasse encontrando com um alienígena de
inteligência avançada, uma viajante do tempo atrapalhada e submissa
e um paranormal metido a esperto e todos eles estivessem relacionados
a essa sua colega de classe? E se você fosse o único humano capaz
de salvar o mundo, fazendo com que ela nunca o destruísse? E se você
e todas essas pessoas estivessem num clube com propósitos
suspeitos? É nessa confusão que a trama de uma das maiores
franquias da primeira década do século XXI se desenrola: Suzumiya
Haruhi no Yuuutsu.
Originalmente
uma série de 11 Light Novels criadas em 2003 por Tanigawa Nagaru e
ainda em andamento, Suzumiya Haruhi
no Yuuutsu leva o nome do primeiro
volume, que significa “O desespero de Haruhi Suzumiya” em
japonês. Além da série em Light Novels e das duas temporadas do
anime, a franquia conta com quatro mangás diferentes[sendo um o
original, outro uma paródia e os outros dois spin-offs] ainda em
andamento, um filme e duas séries animadas que foram transmitidas
via web.
Brigada SOS
Logo original da Brigada, criada por Suzumiya Haruhi.
Criada por Suzumiya Haruhi e
idealizada indiretamente por Kyon, a Brigada
SOS: Brigada da Suzumiya Haruhi salvando do mundo enchendo-o com
diversão[ do original: Sekai
wo Ooini
moriagerutame no Suzumiya
Haruhi no dan
ou
SOS-dan]
tem como finalidade procurar por seres misteriosos como aliens,
viajantes do tempo ou paranormais e se divertir com eles, segundo
Suzumiya. Apesar de raramente encontrarem um caso pra resolver ou
algo misterioso, podemos dizer que a tarefa da brigada é sempre
realizada, visto que 3 dos cinco integrantes são exatamente um
alien[Yuki], um viajante do tempo[Mikuru] e um paranormal[Itsuki].
Com o passar do tempo, a verdadeira tarefa da Brigada se torna fazer
com que Haruhi nunca tenha crises de depressão, tédio, raiva ou
algo que faça com que ela queira destruir o mundo, mesmo que
inconscientemente.
Integrantes
Kyon
Narrador e um dos protagonistas
da história. Kyon na verdade é o seu apelido e seu nome nunca é
revelado na série. È um rapaz cético, acabou simplesmente
aceitando que os grandes mistérios do Universo possuem alguma
explicação científica. Kyon possui uma irmã menor que aparece
esporadicamente na história, mas também não tem seu nome revelado.
Kyon, que queria viver seu enisno médio de uma forma bem calma, vê
sua vida virar de cabeça para baixo quando Haruhi entra em sua vida.
Ele motivou Haruhi a criar a Brigada SOS. Kyon é sempre a voz da
razão da brigada, visto que Koizumi concorda com tudo que Haruhi
diz, Asahina é obrigada a aceitar e Nagato sempre se mostra
indiferente.
Suzumiya Haruhi
Personagem principal da série,
Suzumiya é uma garota agitada e inteligente. Sempre teve uma
curiosidade enorme com relação a coisas misteriosas, a ponto de
fazer loucuras como desenhar círculos no pátio da escola para
tentar se comunicar com alienígenas, ou mudar de penteado todos os
dias como uma forma de “combatê-los”. Haruhi não só tem um
fascínio com tudo que é desconhecido, mas chega ao ponto de
rejeitar os seres-humanos, ignorando as regras de convivência mais
comuns e tornando-se uma pessoa fechada. É extremamente boa em todas
as áreas, tendo entrado em todos os clubes no início do ensino
médio, mas saindo de todos após algum tempo, por falta de
interesse, mesmo que todos a implorassem para ficar. Suzumiya nunca
havia conversado com ninguém no ensino médio até um diálogo
descontraído com Kyon. A partir desse momento, Suzumiya começou a
mudar de comportamento, até decidir criar um clube para ela.
Suzumiya Haruhi não sabe, mas todo o Universo gira em volta dela e
há suspeitas de que a mesma o tenha criado há 3 anos. Apesar disso,
seus poderes como “Deusa” seguem uma certa lógica, fazendo com
que situações impossíveis nunca ocorram, mesmo que esse seja o seu
desejo. Sempre que Suzumiya se entedia ou se deprime, ela cria uma
espécie de dimensão alternativa, como um “projeto de mundo”.
Nesse local habitam seres gigantes, luminosos e desproporcionais
chamados celestiais, que têm o trabalho de extravasar os sentimentos
ruins de Haruhi, a medida que esse mesmo local aumenta de tamanho. O
grande medo de todos que sabem da natureza de Suzumiya é que o mundo
real seja apagado e substituído por um desses projetos de mundo.
Nagato Yuki
Yuki a princípio é apenas uma estudante que está no
clube de leitura, que está para ser fechado. Amante de livros, passa
boa parte do tempo que possui no clube quando não há nada para
fazer lendo. Yuki é a primeira pessoa a contar da habilidade de
Suzumiya a Kyon, ao mesmo tempo em que revela sua verdadeira
identidade:uma interface humanóide criada pela Entidade
Pensante de Integração de Dados
para monitorar as atividades de Suzumiya desde que uma grande
explosão de dados foi detectada há 3 anos, com Suzumiya no centro.
Como interface da EPID, Yuki conta com um grande número de
habilidades, a maioria relacionada a alteração espacial e temporal,
podendo viajar no tempo, entrar em outras dimensões, mudar atributos
de objetos, não ser afetada por dano físico, não ter memória
apagada por alterações temporais, e programas preventivos para
falhas no seu sistema, assim como backups. Por decisão da EPID, Yuki
somente deve observar as ações de Suzumiya e nunca motivá-la ou
manipulá-la para obter resultados específicos.
Asahina
Mikuru
Asahina vestida de "Maid" por obrigação de Suzumiya.
Doce e inocente, Asahina Mikuru aparece inicialmente como
uma aluna do segundo ano que costuma cochilar na sala de aula durante
os intervalos. Originalmente do clube de caligrafia, foi sequestrada
e intimada por Suzumiya a sair para entra na brigada. Sua natureza é
extremamente submissa, de modo que é usada o tempo todo por Haruhi,
seja para conseguir algo, seja como Maid nas horas livres no clube.
Durante a série, utiliza vários cosplays diferentes, todos
comprados por Haruhi, desde o já citado uniforme de empregada até
uma fantasia de sapo. É a segunda pessoa a se revelar a Kyon,
explicando a sua origem. Asahina é uma soldado raso do Comitê de
Viajantes do Tempo que, após um Tempomoto há 3 anos da época
atual, percebeu que não era possível voltar no tempo além daquela
data e que Haruhi era a causa do Tempomoto. Asahina tem como missão
observar Haruhi e notar mais alguma alteração temporal criada por
ela. Um fato interessante sobre Asahina é que uma outra versão dela
aparece na história de vez em quando, desta vez mais velha, para
passar alguma dica ou informação a kyon.
Asahina mais velha, que volta no tempo para ajudar Kyon.
Koizumi Itsuki
Sempre sorridente e aparentemente
calmo, Koizumi foi o último integrante da Brigada SOS a aparecer na
história. Suzumiya passou cerca de 3 meses falando que o que faltava
na Brigada era um misterioso aluno transferido, e em um determinado
dia, ela simplesmente sentiu que ele havia chegado. Procurando pela
escola, encontrou-se com Koizumi, que mesmo sem entender o que
acontecia a seguiu. Após chegar ao clube, ele entendeu finalmente o
porquê de estar ali. Koizumi é o último a contar sua verdadeira
identidade a Kyon, sendo que este mesmo concluiu que ele, assim como
todos que entraram no clube, tinha uma natureza especial. Koizumi
também é quem explica da melhor forma a Kyon a verdadeira
capacidade de Suzumiya. Há 3 anos, Koizumi percebeu que poderes
paranormais surgiram dentro dele e simplesmente soube da sua origem:
Suzumiya Haruhi. Ele não era o único, e todos que receberam esse
dom e essa informação se uniram numa espécie de organização.
Existem condições incertas para a utilização de seu poder, não
permitindo a ele usá-lo no mundo real, por exemplo. A razão de seu
poder é destruir os celestiais que habitam as dimensões criadas por
Haruhi, impedindo assim que essas dimensões cresçam e substituam o
mundo real.
Primeira Temporada
No
dia 2 de abril de 2006 ia ao ar o primeiro episódio da adaptação
para anime das Light Novels de Suzumiya Haruhi. Suzumiya
Haruhi no Yuuutsu
era composto de 14 episódios, sendo que seis contavam a história da
primeira Light Novel homônima ao anime e os outros oito contavam
histórias aleatórias de outras Light Novels posteriores. Um fato
interessante é que o anime foi não foi transmitido em ordem
cronológica, uma jogada inteligente dos produtores para prender o
espectador até o final, já que os episódios das outras light
novels foram distribuídos entre os episódios da primeira história,
prendendo o expectador até o fim da temporada. No final de cada
episódio, dois episódios eram anunciados: o da ordem cronológica,
por Haruhi, e o da ordem de transmissão [e consequentemente o
correto] por Kyon. Suzumiya
Haruhi no Yuuutsu
I, II, III, IV, V e VI contam a história de como Kyon conheceu
Haruhi, como a brigada foi formada, como todos os integrantes
entraram nela e revelaram suas identidade e, finalmente, como Haruhi
quase apaga o mundo pela primeira vez, e kyon o salva. Os outros oito
episódios mostram a brigada em atividades diferentes como em uma
partida de baseball, em um jogo de computador, no festival cultural,
resolvendo o mistério de um assassinato em uma ilha paradisíaca, ou
até mesmo em um simples dia chuvoso.
Haruhiismo
Arte criada por fã fazendo alusão aos vitrais utilizados em igrejas e catedrais.
O
sucesso de Suzumiya
Haruhi no Yuuutsu
foi tão grande que conquistou milhões de fãs por todo o mundo. O
fato da história contar a vida de uma garota do ensino médio como
um ser onipotente porém sem consciência dessa habilidade mexeu
tanto com as pessoas que muitos fãs criaram uma pseudo-religião: o
Haruhiismo. Os conceitos gerais do Haruriismo variam muito de
pessoa para pessoa, ou de fanatismo para fanatismo. Enquanto alguns
fãs seguidores de Suzumiya simplesmente se juntam para falar sobre a
série, ver episódios e trocar colecionáveis, outros fãs buscam
uma filosofia de vida no enredo da história, tentando assimilar os
acontecimentos da série e aplicá-los em sua própria vida. Há
ainda fãs que realmente acreditam num ser que possui a capacidade de
modificar, criar ou destruir tudo a sua volta, mesmo sem saber disso,
tal qual Haruhi, e que esse ser anda entre nós, podendo ser qualquer
um. O próprio Haruhiismo foi uma ferramenta de divulgação da
série, que se tornou conhecida no mundo todo.
Hare
Hare Yukai
A
maioria das animações de sucesso do século XI acabaram tendo
várias paródias e vídeos engraçados na internet baseados na série
original, e com Suzumiya
Haruhi no Yuuutsu
não seria diferente. Mas em meio a tantos memes criados por essa
série, um se destaca: Hare
Hare Yukai. O
encerramento do anime que tem como tradução “Sol, sol e Diversão”
é cantado pelas três seiyuu principais: Hirano Aya [Haruhi], Yuko
Goto [Mikuru], e Chihara Minori [Yuki] e sua letra basicamente fala
do desejo que Suzumiya tem de descobrir os mistérios do Universo,
ao mesmo tempo que demonstra o quanto ela se diverte procurando com
sua brigada, mesmo que não ache nada. O single lançado no dia 10
de maio de 2006 alcançou o quinto lugar no Oricon Semanal [ lista de
singles mais vendidos semanalmente] no mesmo dia, permanecendo 92
semanas na lista e vendendo mais de cento e vinte três mil cópias.A
música possui uma dança que ficou tão popular que começou a ser
parodiada e copiada por várias pessoas do mundo inteiro, tendo
várias versões no youtube.
Dança original:
Flashmob em Akihabara, em 2007:
Paródia no anime Lucky Star:
Animações
da Web
Haruhi-chan e Churuya-san. Em seguida os personagens de Haruhi-chan no Yuuutsu e Nyoron Churuya-san.
No
dia 13 de fevereiro de 2009, no canal da Kadokawa
Shoten
no Youtube, foram lançadas duas animações que parodiavam a série
original: Suzumiya
Haruhi-chan no Yuuutsu e
Nyoron Churuya-san.
Os episódios contavam com a mesma equipe de dubladores do anime
original, o que dava mais fidelidade às séries. Como paródias, as
duas animações davam características novas aos personagens [como
uma rivalidade entre Tsuruya e Sonou Mori em Haruhi-chan e A
inocência extrema de Tsuruya em Churuya-san] ou então realaçavam
traços já existentes em sua personalidade[ como o interesse de
Nagato por videogames, o fato de Asahina gostar de fazer cosplay ou
um possível sentimento de Koizumi por Kyon], o que as tornava
extremamente engraçadas.
Segunda Temporada – Fiasco do Endless Eight
Anunciada
em julho de 2007, um ano e dois meses após a estréia na TV, a
Segunda Temporada de Suzumiya
Haruhi no Yuuutsu
foi aguardada com apreensão pelos fãs. Foram liberados vídeos
promocionais mostrando um jovem e uma adolescente invadindo uma
escola, como se fosse uma camera de segurança em referência a um
episódio de um dos Light Novels, “ Rapsódia da Folha de Bambu”,
do terceiro volume “Suzumiya
Haruhi no Taikutsu[O
Tédio de Haruhi Suzumiya]”. Em 18 de dezembro do mesmo ano, o site
oficial do anime mudou seu layout para o de uma página de erro 404
[Página não encontrada], uma outra referência aos Light Novels,
dessa vez ao “Desaparecimento de Haruhi Suzumiya[do original
Suzumiya
Haruhi no Shoushitsu]”,
quarto volume da série. Logicamente isso deixou os fãs da série
ainda mais loucos.
Videos promocionais [Bamboo Flower Rhapsody]:
Em
abril de 2009, dois anos após o primeiro anúncio, Suzumiya
Haruhi no Yuuutsu
voltava a TV. O projeto tinha o nome Suzumiya
Haruhi no Yuuutsu
2009 e trazia 28 episódios: os 14 da primeira temporada e mais 14
inéditos. Outro ponto interessante: a série seria exibida na ordem
cronológica.
Porém,
o que parecia incrível começou a se tornar um desastre. Depois de
11 episódios, somente 1 era inédito, algo normal para os
conhecedores do light novel, pois boa parte dos episódios da
primeira temporada eram dos primeiros volumes [de fato, 6 episódios
eram só o primeiro volume]. Então o décimo segundo episódio, de
nome Endless Eight, veio na semana seguinte. Isso acalmou os fãs,
pois era mais um episódio inédito. O que eles não esperavam é que
os próximos 7 episódios seguintes teriam o mesmo nome, a mesma
história, e seriam basicamente o mesmo episódio, com algumas
alterações como roupas, ou um acontecimento ou outro. O Endless
Eight foi um recurso que os produtores pensaram para retratar um loop
na história da série. No início do episódio, Kyon e a Brigada se
reúnem e decidem o que ser feito nas férias de verão. Depois de
diversas atividades como ir a piscina, ir ao festival e assistir aos
fogos, o episódio acaba com Kyon indo para cama no dia 30 de Agosto.
No segundo episódio, tudo se repete, porém a partir desse, a
brigada percebe que está em um loop temporal causado por Haruhi, e
correm para descobrir o que está fazendo com que isso ocorra.
Segundo Yuki, que é a única que não tem sua memória resetada para
duas semanas atrás, o verão se repete 15532 vezes até que o loop
seja quebrado. Boa parte dos fãs se sentiram enganados com 8
episódios similares e nem se importaram com os outros 5 episódios
inéditos que mostravam a criação do filme exibido no festival
cultural pela Brigada, Suzumiya
Haruhi no Tameiki
I , II, III, IV e V [ O Suspiro de Haruhi Suzumiya].
Suzumiya
Haruhi no Shoushitsu
- O Filme
Poster promocional do filme.
Após
o fiasco da Segunda Temporada, um pequeno trailer de 30 segundos no
encerramento da mesma indicou que haveria um filme adaptado da quarta
Light Novel: Suzumiya
Haruhi no Shoushitsu
[O Desaparecimento de Haruhi Suzumiya]. Em fevereiro de 2010, o filme
estreou nos cinemas japoneses. O Filme não só conseguiu ficar entre
10 maiores rendas de bilheteria daquele ano logo na primeira semana,
com 200 milhões de yen, como também alcançou o topo do Oricon com
seu bluray também em sua primeira semana, com 77000 cópias vendidas
e o quarto lugar com o DVD, com 19667 cópias vendidas. Minori
Chihara, dubladora de Nagato Yuki, ainda ganhou o Seiyu Awards de
2011 como melhor performance musical pelo Tema do Filme, “Yasashii
Bōkyaku”[
Suave Esquecimento].
A história do filme ocorre entre 16 e 24 de
dezembro. Nos dois primeiros dias, Haruhi está agitada com o natal,
e decide fazer uma grande festa no clube no dia 24. Tudo ocorre
normalmente até o dia 18, quando kyon chega na escola e percebe que
Haruhi faltou a aula, assim como Taniguchi [esse doente, por causa de
um surto de gripe]. Então diante dele algo que ele nunca esperava
acontece: Asakura Ryouko, um dos backups de Yuki que tentou matá-lo
para observar a reação de Haruhi e que foi destruída pela própria
Yuki, reaparece e senta no lugar de Haruhi. Indignado Kyon pergunta o
que ela estava fazendo ali, e ela explica que estava doente. Kyon
fica confuso com o fato de ninguém indagar o que ocorre, e reclama
com Kunikida dizendo que ela estava querendo se sentar no lugar de
Haruhi, mas para sua surpresa, ele diz que não conhece nenhuma
Suzumiya Haruhi. Ao procurar pelos outros membros da Brigada, Kyon
percebe que tudo está de cabeça para baixo: Koizumi também
desapareceu; Asahina nem mesmo o conhece; e Nagato Yuki, a pessoa que
sempre tinha a resposta para tudo e o ajudava naqueles momentos,
havia se transformado em uma tímida aluna remanescente do clube de
leitura, que nunca se transformou em QG da Brigada-SOS. Depois de
alguns dias procurando respostas, Kyon acaba se adaptando àquela
realidade, porém quando Taniguchi volta e pergunta a Kyon se ele
também conhece a Suzumiya quando Kunikida zomba de dele por sentir
falta de uma suposta aluna fantasma, surge uma chance de fazer tudo
voltar ao normal. Nesse momento, Kyon tem o poder de deixar tudo do
jeito que está, ou voltar a realidade onde Haruhi é Deus.
Música
Com
uma extensa lista de 27 compactos, entre singles, character songs,
radio-dramas, e até mesmo um live show, a série de Suzumiya Haruhi
impressiona pela quantidade de músicas. Pelo menos 50% de seus
singles chegou a alcançar o top10 da Oricon, mostrando que a
franquia rendia não só sucessos na TV, como também nas lojas de
cds. O destaque é para a já citada Hare
Hare Yukai
e para o single Suzumiya
Haruhi no Tsumeawase,
que trazia as três canções tocadas dentro dos episódios: God
Knows e
Lost My Music,
cantada por Haruhi junto com a banda ENOZ no festival cultural, e Koi
no Mikuru Dentetsu,
tema do filme As aventuras de Asahina Mikuru, produzido pela brigada
para o festival cultural. Os dois conseguiram o quinto lugar no
Oricon, e o segundo conseguiu se manter na lista por 166
semanas.
Primeira Abertura [Bouken Desho Desho]:
Primeiro Encerramento [Hare Hare Yukai]:
God Knows:
Segunda Abertura [Super Driver]:
Segundo Encerramento [Tomare!]:
Em
meio a tantas reviravoltas e opiniões divergentes, é impossível
dizer que Suzumiya
Haruhi no Yuuutsu
é uma das séries de maior sucesso da década passada, senão a
maior série. Com grandes dubladores, uma história marcada por um
enredo bom mas que não foge tanto da vida escolar normal, músicas
marcantes e momentos memoráveis, Suzumiya
Haruhi no Yuuutsu
é uma franquia obrigatória na coleção de um amante de animes.
“Uma folha preciosa do calendário
será perdida.
Os meses restantes irão sepultá-la em grande estilo.
Mitsuki que perdeu a oportunidade de participar
Perseguirá sozinho a sombra de Shimotsuki.”
Esta é uma estrofe da
previsão por poesia que o Nem de Neon roubado por Kuroro fez a Nobunaga, da
Genei Ryodan. Parece estranho? Sem dúvida.
Robert Frost sustenta que “a poesia é aquilo que se perde na tradução”, mas
neste caso talvez não; de fato, não acredito que o Yoshihiro Togashi seja um
grande poeta, mas sem dúvida se esforçou.
É nestes termos, com esta ousadia que desenrola-se a segunda parte desta
análise de Hunter x Hunter.
York Shin
Kuroro? Nobunaga? Neon? Quem
são estes? Bom, Kuroro e Nobunaga são membros Genei Ryodan que se trata de um grupo de
criminosos que massacrou a tribo Kuruta, a tribo de Kurapica. Quando disse
antes que a motivação de Kurapica era clichê... Bom, era disso que eu falava.
Kurapica busca vingança contra a Genei Ryodan pelo assassinato de seu povo. Há
incontáveis histórias parecidas.
Mas há um ponto diferencial – Kurapika quer recuperar os olhos de seus antigos
companheiros, roubados de seus corpos pelo bando de assassinos devido a sua
tonalidade escarlate. O povo Kuruta é singular por apresentar coloração
avermelhada em seus olhos quando sente emoções fortes e esta cor é considerada
uma das mais belas do mundo, e portanto muito valiosa – naturalmente isso
atraiu os criminosos até a floresta onde os Kuruta procuravam se esconder.
E a Neon?
Ela é filha de Ligth Nostrad, membro da máfia que contratou Kurapika como
guarda costas para o Leilão de York Shin. O plano de Kurapika era ir até o
leilão e recuperar os olhos de seus companheiros que sabia que estariam sendo
leiloados lá e dar combate à Genei Ryodan, que soube por Hisoka que tentaria
roubar o leilão. Este é claramente um arco de Hunter x Hunter voltado para a vingança de
Kurapika e a maneira como ela se dá (ou não).
Mas onde estariam Gon e
Killua? Eles rumam para o Leilão de York Shin também, em busca de um jogo de vídeo-game
chamado Greed Island, onde procuram obter pistas sobre o paradeiro de Ging, pai
de Gon.
O caso é que o jogo é caríssimo, e para aduirí-lo eles terão de bolar alguma
estratégia para ganhar muito dinheiro e rápido.
Esta é uma historinha paralela que o autor colocou ali, e que só vai ter real
importância no próximo arco, afinal, York Shin é essencialmente sobre Kurapika.
É incrível como este
personagem impôs restrições a si mesmo para poder enfrentar o poder da Genei
Ryodan, que é até agora o grupo de usuários de Nem mais poderoso que se viu (e
que não perderá este status, não completamente). Para tanto, Kurapica impõe
contra ele mesmo o seu próprio poder, sob o juramento que se só o usaria contra
a Genei Ryodan. Desta forma ele consegue um poder que realmente faz frente ao
grupo de criminosos.
Mas uma coisa deve-se dizer: AGenei
Ryodan é muito legal! Sem dúvidas são os meus personagens preferidos! Todos são
absurdamente fortes e com poderes que, somados, são imbatíveis. Ao contrário de
outros grupos de criminosos que se vê em outros mangás, a Genei Ryodan é unida
e trabalha em relativa “harmonia”. Conta com 13 membros, e seu símbolo é uma
Aranha de 12 patas, que representam seus membros e o líder (a cabeça da
Aranha). O líder é Kuroro, e ele tem, na minha opinião, o poder de Nem mais
legal de Hunter x Hunter – trata-se de um livro onde ele guarda poderes que
rouba de pessoas seguindo determinadas regras (isso é uma coisa sobre Togashi:
ele AMA regras, e não se satisfaz se não as colocar em praticamente todos os
poderes que cria), e que pode usar seguindo outras tantas regras. No tocante a
criatividade de Togashi, preciso saudá-lo: com aparecimento de personagens mais
poderosos e experientes na manipulação de Nem, ele mostra uma sorte
impressionante de poderes muito criativos! Há quem manipule pessoa, emita balas
de Nem através dos dedos, faça cópias perfeitas de coisas, materialize um
aspirador de pó (?), além de Neon que prevê o futuro das pessoas por meio de
poesia.
O que difere esta história de vingança das outras por aí é que no final a
vingança simplesmente não acontece. Kurapika, como poderia se imaginar, não é
capaz de dar conta de todos os membros da Genei Ryodan e então parte para um
plano mais modesto: tirar-lhes o líder.Bom,
isso ele consegue, mas os demais membros do Genei Ryodan têm planos para mudar
isso...
Se Hunter x Hunter fosse um
mangá qualquer, certamente Kurapika conseguiria cumprir sua vingança com muita
determinação e o poder da amizade, mesmo contra inimigos muito mais poderosos;
mas o caso é que Hunter x Hunter não é assim, e com um pingo de realismo que
falta aos outros mangás, consegue surpreender o leitor que esperava uma coisa
já bem batida.
Do outro lado desta mesma
história, Gon e Killua se desdobram para adquirir o jogo no leilão. Este é o
leilão de uma casa famosa de York Shin, e não como o Leilão do submundo mantido
pela máfia que a Genei Ryodan saqueou. Diga-se de passagem, pode-se dizer mais
umas palavrinhas a favor da tese de que o mundo de Hunter x Hunter é mesmo
muito violento: o leilão do submundo que põe a venda produtos escusos e
proibidos é mantido e protegido tanto pela máfia mundial como pela polícia,
revelando a corrupção do poder público no universo que Togashi criou... bom,
talvez isso não seja assim tão diferente do mundo que conhecemos...
Em York Shin, Gon e Killua
encontram Leorio e junto deste procuram maneiras de ganhar a soma necessária
para arrematar o Greed Island – lançam mão de meios como queda-de-braço e venda
de produtos adquiridos em feiras, mas a quantia necessária é demasiadamente
alta e então eles pensam em algo diferente. Há uma recompensa oferecida pela
máfia àqueles que capturarem os membros da Genei Ryodan, e desta forma os
garotos se envolvem com a Aranha e acabam sendo capturados. Depois de muita
negociação envolvendo Kurapika e a Genei Ryodan, uma troca de reféns (nada
justa para o lado dos vilões) a dupla de garotos é resgatada e pode participar
do leilão. No entanto, eles não têm dinheiro e precisam de um plano para
conseguir o jogo. E aí Gon mostra um que também sabe pensar e que não é tão
bobo quanto parece, um avanço muito bem-vindo das nuances do personagem que até
então parecia um tanto raso.
De posse deste plano, a dupla, Gon e Killua se separa mais uma vez de Leorio e
Kurapika e parte para a tentativa de cumprir seu plano e entrar no Greed
Island.
Greed Island
Este é um arco bem
interessante de Hunter x Hunter – diferente ao estilo de Togashi, que não se
satisfaz fazendo apenas o básico de “lutinhas” entre personagens. Greed Island
é um jogo de vídeo game no qual o jogador pode literalmente entrar caso saiba
manipular o Nem e que pode morrer de verdade!
O plano de Gon para entrar no jogo é o seguinte: Eles não precisavam comprar o
jogo, bastava fazer com que o senhor que os adquiriu deixasse que eles
jogassem. Contudo, há restrições (mais?!) para que um jogador possa ser admitido
pelo senhor Batera (proprietário dos jogos), e então Gon e Killua precisam
passar por um teste. Depois de algum treinamento a barreira do teste é vencida
e os dois partem para dentro do jogo.
Lá eles descobrem que a
ilha onde o jogo se passa é muito parecida com o mundo real, e que os perigos
também são bastante reais.
De qualquer forma, partem para coletar s cards do jogo – basicamente, o jogo
consiste em coletar todos os 100 tipos de cards diferentes; o primeiro a fazer
isso vence. No entanto, os garotos t:em dificuldades a príncípio, pois ainda
não dominam o Nem suficientemente bem para progredir dentro do Greed Island.
Vendo esta dificuldade, Biske, uma mulher velha, mas com aparência de
garotinha, resolve ensiná-los a desenvolver seus poderes de Nem.
Este é, portanto, e até aí,
uma arco de treinamento, onde o autor visa mostrar aos leitores como os
personagens conseguiram ficar mais fortes, e isso difere da maioria dos mangás
comuns onde os personagens de uma hora para outra ganham poderes sensacionais
sem passar por nenhuma dificuldade (ou mesmo mostrar as dificuldades que
tiveram). Gon e Killua aproveitam os ensinamentos de Biske para desenvolverem
seus Hatsus (poderes) de acordo com seus tipos de Nem: Gon, por ser
Intensificador escolhe um poder que consiste em um soco reforçado com Nem, além
de poderes menores de Transformação (cortar) e Emissão (disparar uma bola de
energia) e se baseia no princípio de Janken (Jokenpô). Do seu lado, Killua, um
Transformador, resolve transformar sua aura em eletricidade para disparar
correntes elétricas contra seus adversários.
Mas fortes, eles conseguem
avançar no jogo e despertam o interesse de um grupo de vilões (Bomber) que avança
assassinando ou explorando outros jogares e roubando seus cards. Fica,
portanto, iminente uma batalha entre os mocinhos e os vilões deste arco.
Isso se intesifica quando
Gon e seus amigos conseguem um card muito raro em uma disputa de Queimada. Isso
mesmo, Queimada! Este é outra argumento a favor da opinião de que Togashi gosta
de inovar em suas disputas. Usa não somente lutas e violência, mas esporte
(embora bem violento). Esta é uma boa chance de ver Hisoka e os mocinhos
lutando do mesmo lado. Hisoka está no jogo para buscar ajuda para Kuroro que
perdeu seus poderes, além de estarem ali também os membros da Genei Ryodan.
Para vencer o Bomber, Gon,
Killua e Biske traçam um plano, mas é claro que mesmo Hunter x Hunter não
consegue deixar de lado todos os clichês do gênero shonen e Gon, como
protagonista acaba meio que abandonando o plano inicial em favor de uma
iniciativa heroica e um arrombo de compaixão por todos aqueles que foram mortos
pelo Bomber. Muito machucado, Gon sai vitorioso da disputa, valendo de sua
força de vontade e uma boa dose de preparação, uma vez que o adversário era
imensamente superior.
Bom, acho que nem precisa
dizer que os mocinhos vencem e conseguem todas as cartas para completar o jogo.
Mas para que tudo isso?
A recompensa por vencer
completar os jogo é poder levar para fora da ilha três cards e usá-los no mundo
real. Com certeza é uma boa recompensa, uma vez que os card do jogo são utilíssimos
para diversos fins. Diga-se de passagem, Togashi soltou a imaginação para criar
os cards, mas fica a impressão de que certos cards eram desnecessários, por
motivos inconfessáveis...
A conquista destes três cards pode levar Gon ao seu pai, que ele descobre
durante a sua jornada que não está dentro do jogo. Gon e Killua voltam para o
mundo real (há uma ressalva quanto ao “mundo real” e o “jogo”, mas isso é algo
que eu vou deixar que o leitor descubra com a leitura do mangá) e ativam o card
para encontrar Ging. O que acontece então os leva para sua nova aventura.
Nestes dois arcos, Togashi começa de fato a explorar o universo que criou e
suas particularidades. Vemos personagens mais bem desenvolvidos, poderes
criativos e enredo mais coeso. Os dois arcos, mas sobretudo o de York Shin,
mostram que um shonen pode sim ser muito bom, com história interessante, sem
ter que apelar para pancadaria desmedida.
O caso é que a pancadaria volta no próximo arco, como veremos na Parte III da
análise de Hunter x Hunter.