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5.01.2014

Pluto



A reinterpretação, da obra do Tezuka (AstroBoy), pelas incríveis mãos do Naoki Urasawa (Pluto), é extraordinária.

Diferentemente da primeira, que fora feita para o público mais infantil, Pluto se aprofunda muito nas questões emocionais entre robôs mais tecnologicamente evoluídos, com AI perfeitas, que se questionam o motivo de serem usados por seres humanos para guerrear, sendo que eles nem ao menos sentem ódio (ou será que também sentem?).

Urasawa destrincha princípios éticos e morais (robôs não são seres humanos, portanto devem servir aos seus senhores; eles são simplesmente objetos, sucata, devem ser explorados e descartados quando não prestarem mais. Seria isso correto?), racionais e emocionais, questionamentos e impasses sobre o que viria a ser o certo e o errado em uma sociedade divida. Partindo sempre de diversos pontos de vista.
Num contexto geral, o que é certo para um, pode não ser certo para outrem, tudo depende de suas vivências e forma de pensar.

Numa sociedade evoluída ao ponto de ter humanos e robôs convivendo e interagindo naturalmente, seria possível que, apesar de existirem leis e normas de fabricação, que não permitam que esses mesmos robôs matem seres humanos, eles possam cometer algum crime? E se bugarem? Humanos em contrapartida podem fazer o que quiserem com os robôs? Todos fazem parte de uma 'humanidade' que não é só composta por pessoas, mais também ciborgues, androides, uma humanidade também humanoide...

Pluto pra mim, é uma obra de arte, que merece ser lida não só uma ou duas vezes, pois se buscarmos enxergar mais a fundo, engloba muitos assuntos que estão acontecendo agora mesmo, estão no nosso dia-a-dia, por mais que a Inteligência Artificial não esteja tão presente no nosso cotidiano e que precisam apenas, de um pouco mais de atenção.



2.17.2013

BEELZEBUB



Para quem não conhece, farei uma pequena resenha sobre Beelzebub, um mangá com uma temática de certa forma simples, mas que me chamou a atenção pela criatividade do enredo (mais do que puramente pela pancadaria).


Tudo começa quando somos apresentados ao jovem delinquente Oga Tatsumi, badboy brigão do colégio, curte uma treta, mal educado, péssimas notas. O típico modelo de personagem mal encarado que logo no início desperta uma certa admiração por parte do leitor (justamente por fazer o papel de herói anti-herói).
Certo dia, após um a aula, Oga fora ‘convocado’ à participar de um duelo, às margens de um rio próximo de onde estudava.
Resolvendo a treta de forma rápida e simples - tentando afogar o inimigo -, se depara com uma cena estranha. Um homem alto e musculoso boiava nas águas com uma flecha cravada no peito.

Oga pensa duas vezes e resolve ajudar o cara. Quando o puxa para fora do lago, algo impressionante acontece: O homem ferido se abre ao meio (estilo kinder ovo) e de dentro dele sai um bebê!!!
Isso mesmo, um bebezinho, que ‘gruda’ em Oga.
O ser que estava aparentemente ‘morto’, se recupera e diz ser um demo. Conta ao jovem que aquele bebê é o filho do Rei Demônio, que o enviou para o nosso planeta com o intuito de que Beel (o bebê) pudesse destruí-lo. (Na verdade o próprio Rei Demonio queria destruir a Terra, entretanto anda sempre muito ocupado cuidando do Meikai e por não ter tempo, decidiu mandar o filhote fazer o serviço pesado). 

Ao saber da históriam Oga tenta se desvencilhar do pequenino, mas percebe da maior forma possível que não há como. Beel enxergou uma força muito grande nele e por isso fez um contrato com o humano. Nesse contrato, uma marca surge na mão de Oga e essa marca não permite que Beel fique mais de 15 metros de distância de si, se ficar, o humano morre.
Então para tentar fazer o pivete sair do seu pé, ele passa a buscar alguém que seja mais poderoso que ele, mas isso não é tão fácil assim, pois o pequeno Beel também tem que gostar dessa pessoa e ele não curte muito outras pessoas que não sejam o próprio Oga.

Furuichi é amigo do nosso valentão do colégio, é o primeiro a saber de toda a situação em que Oga foi envolvido. De início não acredita muito, mas as circunstâncias o fazem crer que a realidade é mais complicada do que se pode imaginar. É o alívio cômico da história, sempre se dando mal em todos os sentidos que se possa imaginar (tendo sua casa destruída, apanhando sem merecer, seus pais achando que ele é gay e por aí vai).

Pouco depois, surge Hilda, a babá de Beel, que tem a missão de protege-lo de todo mal. Vinda do mundo dos demônios, é extremamente forte. De início tenta matar Oga, mas depois percebe que isso não é possível e para ficar próxima de Beel passa a morar em sua casa. Os Tatsumi acham que é esposa de seu filho.No começo é uma personagem muito chata, mas depois se mostra preocupada com os humanos, pois Beel nutre um sentimento especial por muitos deles.Passa a ajudar nosso herói em vários momentos importantes.



Eis o início das aventuras de nosso herói (ou seria anti-herói), que junto de seus amigos passa a se meter em grandes confusões.

Em questões de pancadaria, de fato, ela rola solta durante toda a trama, sempre surgindo novos personagens interessantes. Muitos deles aparecem como integrantes de “máfias escolares”, que buscam arrumar altas tretas com Oga para ver quem é o mais poderoso. Em certos momentos eles estão ajudando o protagonista e em outros estão querendo atrapalhar seus planos. O desinteresse desses caras, por fazer parte de um lado específico é o que torna a história engraçada em vários momentos.

Vale a pena conferir a confusão em que Oga foi envolvido, em que deve treinar dia e noite para se tornar mais forte e derrotar os demônios malignos que tentam destruir a Terra, cuidar de um bebê que nem ao menos é seu filho, brigar com uma moça que todos pensam ser sua esposa e de vez em sempre lutar no final da aula contra uns caras que aparecem só para isso.

BEELZEBUB RECOMENDO!


Para ler o mangá online:








1.24.2013

HANAKIMI (Hanazakari no Kimitachi E)




Hanazakari no Kimitachi E, popularmente conhecido como HanaKimi, é um mangá shoujo, que terminou em 2004 contendo 23 volumes encadernados. Foi publicado na revista Hana to Yume (a mesma de Fruits Basket) pela mangaká Nakajo Hisaya.
Tem como base narrativa, a história da jovem Ashiya Mizuki, fã de esportes, que sai de seu país de origem (Estados Unidos) e vai estudar no Japão, tudo para realizar o seu sonho de conhecer o seu atleta favorito, Sano Izumi.
A história por si só, poderia ser considerada de certa forma clichê, entretanto quebra diversos tabus no mundo dos shoujos, primeiramente por sua personagem principal ser uma garota e somente poucas pessoas saberem disso.

O começo:

Aos 13 anos, Mizuki (meio japonesa, meio norte-americana), foi passar uma temporada de férias com a família no Japão. Enquanto assistia um campeonato esportivo, se deparou com a bela imagem de um garoto participando de um torneio de salto em altura. A forma com a qual o jovem, chamado Izumi Sano,  saltava, fez com que Mizuki realmente se interessasse pelo esporte, pois a leveza de seu salto, a fascinou.
Disposta a tudo para vê-lo saltar, passou a seguir sua carreira de todas as formas possíveis, comprando revistas esportivas, fazendo recortes em jornais, procurando fotos, vendo vídeos... Esperou chegar a idade de entrar no colegial e deu aos seus pais a notícia de que gostaria de estudar no Japão. Seus planos eram de entrar no mesmo colégio em que Sano estuda, o colégio Osaka.

No entanto, existe um pequeno grande problema, o colégio Osaka, é só para garotos.

Aí começa a aventura da nossa jovem heroína!

Consegue enfim ser admitida no colégio e antes de viajar, pede à sua melhor amiga, Julia, para que corte suas grandes mechas de cabelo. Unindo o cabelo curto, à sua estatura pouco desenvolvida e roupas masculinas, inicia a sua vida em Osaka.

Chegando à escola, Mizuki se depara com Sano e a princípio, percebe que o mesmo não vai muito com a sua cara. E para melhorar (ou não) a sua situação, recebe a notícia de que foi designada a ficar no mesmo quarto que o rapaz. Com esse incidente, descobre que por algum motivo, ele parou de saltar e torna sua missão pessoal, fazer o possível para motivá-lo a voltar para o esporte.

Já Sano, logo de início, descobre acidentalmente que Mizuki é uma garota, mas não conta para ninguém, pois deseja saber o que a motivou á entrar numa escola só para garotos. Por sua vez, também passa a protegê-la, sempre que ela entra em alguma confusão em que a sua verdadeira identidade possa correr algum risco. Em outras palavras, ele passa a ajudá-la a guardar seu segredo, sem que ela saiba de nada.


O colégio:

O colégio Osaka é dividido em 3 dormitórios:

Dormitório A: Onde só residem os atletas;
Dormitório B: Que é misto entre atletas e alunos comuns;
Dormitório C: Só artistas o habitam.

Mizuki e Sano tem seu quarto no conjunto de dormitórios B, já que Sano parou de saltar e Mizuki não entra no colégio com bolsa de atleta (mesmo ela sendo uma excelente corredora).

É interessante ressaltar outros personagens do dormitório B, que se tornam amigos e, como não sabem do segredo da garota, as vezes sem querer, fazem coisas que podem prejudicá-la de alguma forma. Eles são:

Nakatsu: Jogador do clube de futebol, não é muito bom nos estudos. Quando encontra Mizuki pela primeira vez, a convida para participar de uma partida, onde, de forma não intencional, acaba machucando-a. A partir desse momento, tenta se redimir por seu “pecado” e diz que fará de “Ashiya o seu melhor amigo”.  Acaba de apaixonando por Mizuki e começa achar que é gay. É muito engraçado ver os conflitos emocionais de Nakatsu, que demonstra sua confusão de várias formas possíveis, ora aceitando o fato de ser “gay”, ora dizendo que isso é errado e não pode amar seu amigo.



Nanba: Nanba é o veterano, senpai dos demais personagens. Por conta de sua inteligência, convicção e de obter o dom do diálogo, é líder do dormitório B. Muito gentil, faz o que pode para ajudar os seus kouhais (alunos mais jovens) a superar dificuldades e sempre que alguém precisa de algo, se propõe a ajudar, um verdadeiro chefe. Torna-se amigo de Mizuki, pois a acha “um garoto muito interessante”.




Kayashima: Colega de quarto de Nakatsu, tem o dom de ver fantasmas e de vez em quando faz alguns trabalhos como exorcista, curandeiro, fotógrafo de almas e etc.


E por final, outro personagem que vale muito a pena ressaltar:



Dr. Umeda: Umeda é o médico do colégio e tio de Nanba. Extremamente mal humorado, vive fumando e sempre que pode fazer alguma coisa para causar medo nos alunos do colégio, ou até mesmo maltratá-los, faz sem pestanejar. Desvenda a identidade de Mizuki no mesmo dia que Sano, ao descobrir os verdadeiros motivos da garota tem, para estar naquele lugar, não hesita em ajuda-la, pois acha sua causa  de certa forma, nobre.

Durante a história, várias pessoas cruzam o caminho de Mizuki. Algumas para ajuda-la, outras para atrapalhá-la.
O que aconteceria se descobrissem sua verdadeira identidade? A aceitariam do jeito que ela é? Ou será que a achariam uma mentirosa? Como acaba a historia? Só lendo HanaKimi para saber.

Mas tá aí um shoujo que eu recomendo, na minha opinião, um dos melhores já lidos por mim.

Os personagens são muito bem trabalhados, cada qual com sua própria personalidade, eles entram em conflitos e os superam, cada um à sua maneira.  Esse é um dos grandes pontos fortes do mangá, que dá abertura para que possamos nos aprofundar um pouco mais na história individual de cada um, tornando a narrativa mais interessante e não apenas “só mais uma, em que apenas o casal principal é importante”.

Quem acompanhar HanaKimi, não se arrependerá! =D


Links para download do mangá:

Manga-Dream - Cap: 01 - 106

Otaku-Gedai - Cap: 107 - 111


Obs: Estou abrindo um fansub para terminar a tradução desse mangá, já que parece que ele foi abandonado, em breve os outros capítulos serão encontrados no seguinte link: 



(Lembrando que Hanakimi também tem um Dorama, entretando ainda não assisti, por isso não citei aqui. Gomenn >////<)




1.16.2013

Hunter x Hunter | Parte II



 Hunter Hunter | Parte II


“Uma folha preciosa do cale­ndário será perdida.
Os meses restantes irão sepultá-la em grande estilo.
Mitsuki que perdeu a oportunidade de participar
Perseguirá sozinho a sombra de Shimotsuki.”


  Esta é uma estrofe da previsão por poesia que o Nem de Neon roubado por Kuroro fez a Nobunaga, da Genei Ryodan. Parece estranho? Sem dúvida.
  Robert Frost sustenta que “a poesia é aquilo que se perde na tradução”, mas neste caso talvez não; de fato, não acredito que o Yoshihiro Togashi seja um grande poeta, mas sem dúvida se esforçou.
  É nestes termos, com esta ousadia que desenrola-se a segunda parte desta análise de Hunter x Hunter.





 York Shin




  Kuroro? Nobunaga? Neon? Quem são estes?
   Bom, Kuroro e Nobunaga são membros Genei Ryodan que se trata de um grupo de criminosos que massacrou a tribo Kuruta, a tribo de Kurapica. Quando disse antes que a motivação de Kurapica era clichê... Bom, era disso que eu falava. Kurapica busca vingança contra a Genei Ryodan pelo assassinato de seu povo. Há incontáveis histórias parecidas.

Mas há um ponto diferencial – Kurapika quer recuperar os olhos de seus antigos companheiros, roubados de seus corpos pelo bando de assassinos devido a sua tonalidade escarlate. O povo Kuruta é singular por apresentar coloração avermelhada em seus olhos quando sente emoções fortes e esta cor é considerada uma das mais belas do mundo, e portanto muito valiosa – naturalmente isso atraiu os criminosos até a floresta onde os Kuruta procuravam se esconder.
   E a Neon?
   Ela é filha de Ligth Nostrad, membro da máfia que contratou Kurapika como guarda costas para o Leilão de York Shin. O plano de Kurapika era ir até o leilão e recuperar os olhos de seus companheiros que sabia que estariam sendo leiloados lá e dar combate à Genei Ryodan, que soube por Hisoka que tentaria roubar o leilão.
  Este é claramente um arco de Hunter x Hunter voltado para a vingança de Kurapika e a maneira como ela se dá (ou não).

   Mas onde estariam Gon e Killua?
  Eles rumam para o Leilão de York Shin também, em busca de um jogo de vídeo-game chamado Greed Island, onde procuram obter pistas sobre o paradeiro de Ging, pai de Gon.
   O caso é que o jogo é caríssimo, e para aduirí-lo eles terão de bolar alguma estratégia para ganhar muito dinheiro e rápido.
   Esta é uma historinha paralela que o autor colocou ali, e que só vai ter real importância no próximo arco, afinal, York Shin é essencialmente sobre Kurapika.

  É incrível como este personagem impôs restrições a si mesmo para poder enfrentar o poder da Genei Ryodan, que é até agora o grupo de usuários de Nem mais poderoso que se viu (e que não perderá este status, não completamente). Para tanto, Kurapica impõe contra ele mesmo o seu próprio poder, sob o juramento que se só o usaria contra a Genei Ryodan. Desta forma ele consegue um poder que realmente faz frente ao grupo de criminosos.
    Mas uma coisa deve-se dizer: A  Genei Ryodan é muito legal! Sem dúvidas são os meus personagens preferidos! Todos são absurdamente fortes e com poderes que, somados, são imbatíveis. Ao contrário de outros grupos de criminosos que se vê em outros mangás, a Genei Ryodan é unida e trabalha em relativa “harmonia”. Conta com 13 membros, e seu símbolo é uma Aranha de 12 patas, que representam seus membros e o líder (a cabeça da Aranha). O líder é Kuroro, e ele tem, na minha opinião, o poder de Nem mais legal de Hunter x Hunter – trata-se de um livro onde ele guarda poderes que rouba de pessoas seguindo determinadas regras (isso é uma coisa sobre Togashi: ele AMA regras, e não se satisfaz se não as colocar em praticamente todos os poderes que cria), e que pode usar seguindo outras tantas regras. No tocante a criatividade de Togashi, preciso saudá-lo: com aparecimento de personagens mais poderosos e experientes na manipulação de Nem, ele mostra uma sorte impressionante de poderes muito criativos! Há quem manipule pessoa, emita balas de Nem através dos dedos, faça cópias perfeitas de coisas, materialize um aspirador de pó (?), além de Neon que prevê o futuro das pessoas por meio de poesia.


  O que difere esta história de vingança das outras por aí é que no final a vingança simplesmente não acontece. Kurapika, como poderia se imaginar, não é capaz de dar conta de todos os membros da Genei Ryodan e então parte para um plano mais modesto: tirar-lhes o líder.  Bom, isso ele consegue, mas os demais membros do Genei Ryodan têm planos para mudar isso...

   Se Hunter x Hunter fosse um mangá qualquer, certamente Kurapika conseguiria cumprir sua vingança com muita determinação e o poder da amizade, mesmo contra inimigos muito mais poderosos; mas o caso é que Hunter x Hunter não é assim, e com um pingo de realismo que falta aos outros mangás, consegue surpreender o leitor que esperava uma coisa já bem batida.

   Do outro lado desta mesma história, Gon e Killua se desdobram para adquirir o jogo no leilão. Este é o leilão de uma casa famosa de York Shin, e não como o Leilão do submundo mantido pela máfia que a Genei Ryodan saqueou. Diga-se de passagem, pode-se dizer mais umas palavrinhas a favor da tese de que o mundo de Hunter x Hunter é mesmo muito violento: o leilão do submundo que põe a venda produtos escusos e proibidos é mantido e protegido tanto pela máfia mundial como pela polícia, revelando a corrupção do poder público no universo que Togashi criou... bom, talvez isso não seja assim tão diferente do mundo que conhecemos...

   Em York Shin, Gon e Killua encontram Leorio e junto deste procuram maneiras de ganhar a soma necessária para arrematar o Greed Island – lançam mão de meios como queda-de-braço e venda de produtos adquiridos em feiras, mas a quantia necessária é demasiadamente alta e então eles pensam em algo diferente. Há uma recompensa oferecida pela máfia àqueles que capturarem os membros da Genei Ryodan, e desta forma os garotos se envolvem com a Aranha e acabam sendo capturados. Depois de muita negociação envolvendo Kurapika e a Genei Ryodan, uma troca de reféns (nada justa para o lado dos vilões) a dupla de garotos é resgatada e pode participar do leilão. No entanto, eles não têm dinheiro e precisam de um plano para conseguir o jogo. E aí Gon mostra um que também sabe pensar e que não é tão bobo quanto parece, um avanço muito bem-vindo das nuances do personagem que até então parecia um tanto raso.
   De posse deste plano, a dupla, Gon e Killua se separa mais uma vez de Leorio e Kurapika e parte para a tentativa de cumprir seu plano e entrar no Greed Island.



Greed Island




   Este é um arco bem interessante de Hunter x Hunter – diferente ao estilo de Togashi, que não se satisfaz fazendo apenas o básico de “lutinhas” entre personagens. Greed Island é um jogo de vídeo game no qual o jogador pode literalmente entrar caso saiba manipular o Nem e que pode morrer de verdade!
   O plano de Gon para entrar no jogo é o seguinte: Eles não precisavam comprar o jogo, bastava fazer com que o senhor que os adquiriu deixasse que eles jogassem. Contudo, há restrições (mais?!) para que um jogador possa ser admitido pelo senhor Batera (proprietário dos jogos), e então Gon e Killua precisam passar por um teste. Depois de algum treinamento a barreira do teste é vencida e os dois partem para dentro do jogo.

  Lá eles descobrem que a ilha onde o jogo se passa é muito parecida com o mundo real, e que os perigos também são bastante reais.
   De qualquer forma, partem para coletar s cards do jogo – basicamente, o jogo consiste em coletar todos os 100 tipos de cards diferentes; o primeiro a fazer isso vence. No entanto, os garotos t:em dificuldades a príncípio, pois ainda não dominam o Nem suficientemente bem para progredir dentro do Greed Island. Vendo esta dificuldade, Biske, uma mulher velha, mas com aparência de garotinha, resolve ensiná-los a desenvolver seus poderes de Nem.

  Este é, portanto, e até aí, uma arco de treinamento, onde o autor visa mostrar aos leitores como os personagens conseguiram ficar mais fortes, e isso difere da maioria dos mangás comuns onde os personagens de uma hora para outra ganham poderes sensacionais sem passar por nenhuma dificuldade (ou mesmo mostrar as dificuldades que tiveram). Gon e Killua aproveitam os ensinamentos de Biske para desenvolverem seus Hatsus (poderes) de acordo com seus tipos de Nem: Gon, por ser Intensificador escolhe um poder que consiste em um soco reforçado com Nem, além de poderes menores de Transformação (cortar) e Emissão (disparar uma bola de energia) e se baseia no princípio de Janken (Jokenpô). Do seu lado, Killua, um Transformador, resolve transformar sua aura em eletricidade para disparar correntes elétricas contra seus adversários.

  Mas fortes, eles conseguem avançar no jogo e despertam o interesse de um grupo de vilões (Bomber) que avança assassinando ou explorando outros jogares e roubando seus cards. Fica, portanto, iminente uma batalha entre os mocinhos e os vilões deste arco.

  Isso se intesifica quando Gon e seus amigos conseguem um card muito raro em uma disputa de Queimada. Isso mesmo, Queimada! Este é outra argumento a favor da opinião de que Togashi gosta de inovar em suas disputas. Usa não somente lutas e violência, mas esporte (embora bem violento). Esta é uma boa chance de ver Hisoka e os mocinhos lutando do mesmo lado. Hisoka está no jogo para buscar ajuda para Kuroro que perdeu seus poderes, além de estarem ali também os membros da Genei Ryodan.

  Para vencer o Bomber, Gon, Killua e Biske traçam um plano, mas é claro que mesmo Hunter x Hunter não consegue deixar de lado todos os clichês do gênero shonen e Gon, como protagonista acaba meio que abandonando o plano inicial em favor de uma iniciativa heroica e um arrombo de compaixão por todos aqueles que foram mortos pelo Bomber. Muito machucado, Gon sai vitorioso da disputa, valendo de sua força de vontade e uma boa dose de preparação, uma vez que o adversário era imensamente superior.



  Bom, acho que nem precisa dizer que os mocinhos vencem e conseguem todas as cartas para completar o jogo. Mas para que tudo isso?

  A recompensa por vencer completar os jogo é poder levar para fora da ilha três cards e usá-los no mundo real. Com certeza é uma boa recompensa, uma vez que os card do jogo são utilíssimos para diversos fins. Diga-se de passagem, Togashi soltou a imaginação para criar os cards, mas fica a impressão de que certos cards eram desnecessários, por motivos inconfessáveis...
   A conquista destes três cards pode levar Gon ao seu pai, que ele descobre durante a sua jornada que não está dentro do jogo. Gon e Killua voltam para o mundo real (há uma ressalva quanto ao “mundo real” e o “jogo”, mas isso é algo que eu vou deixar que o leitor descubra com a leitura do mangá) e ativam o card para encontrar Ging. O que acontece então os leva para sua nova aventura.



  Nestes dois arcos, Togashi começa de fato a explorar o universo que criou e suas particularidades. Vemos personagens mais bem desenvolvidos, poderes criativos e enredo mais coeso. Os dois arcos, mas sobretudo o de York Shin, mostram que um shonen pode sim ser muito bom, com história interessante, sem ter que apelar para pancadaria desmedida.
O caso é que a pancadaria volta no próximo arco, como veremos na Parte III da análise de Hunter x Hunter.

 Links:

 



 

1.12.2013

Golden Boy


Você já pensou um dia em largar toda sua vida, abandonar sua rotina, colocar apenas alguns pertences pessoais dentro de uma mochila e sair por ai viajando e aprendendo com a vida? Hoje o Hanashi trás para você uma resenha de um clássico da comedia no mundo dos mangás, Golden Boy! O aluno viajante. 










Escrita e ilustrada por Tatsuya Egawa (mesmo criador de cowboy bebop), em 1992, Golden Boy é uma série de mangás publicada pela Super Jump. Em 1995 recebeu uma adaptação para anime, no formato de 6 OVA’s, produzidos pela Shueisha em conjunto com a KSS. O gênero Ecchi, hoje tão na moda, mesmo com personagens sem graça e pouco carismáticos e historias cada vez mais entediantes, em Golden Boy,Tatsuya consegue usar muito bem os elementos desse gênero sem deixar a historia pouco profunda e sem graça. O grande ponto forte da obra é o protagonista. É um daqueles protagonistas que marcam e deixam saudades depois que o anime e mangá acabam. 

O Aluno viajante



Kintaro Oe, é um rapaz de 25 anos, primeiro aluno da sua turma de direito, na faculdade, que após concluir a grade curricular de seu curso, decide largar a faculdade e trocar o futuro em escritórios e salas jurídicas, por uma vida incerta viajando pelo Japão em sua tão amada bicicleta a “CrescentMoon”, fazendo “bicos” nos mais diversos tipos de emprego, sempre anotando tudo que aprende em sua pequena agenda, que ele considera o seu maior tesouro, Kintaro é sempre simpático e paciente, porém tem um problema, ele é tarado por natureza, o que leva o nosso protagonista a passar por situações muito engraçadas e constrangedoras, extremamente inteligente e dedicado, O aluno viajante surpreende o espectador pelo seu bom caráter e pela maneira em que consegue contornar os mais diversos problemas. Kintaro Oe modifica a vida de inúmeras pessoas por onde ele passa com sua bicicleta.







Golden Boy é um daqueles animes que marcam, o humor é muito bem construído dentro da série, os traços e a animação é muito bem feita, e as lições de vida e os valores pessoais, são para levar pelo resto da vida, não falarei mais sobre a obra para não passar spoillers, mas é um anime que recomendo muito, você vai se surpreender a cada cena. 

















1.01.2013

Hunter x Hunter | Parte I



Hunter x Hunter



“Hunter é o caçador de criaturas mágicas, tesouros, criminosos...”

Esta é a definição de Hunter segundo a edição brasileira publicada pela JBC para os heróis de Hunter x Hunter, mangá criado por Yoshihiro Togashi (autor de Yu Yu Hakusho e Level E) e publicado no Japão pela revista Shonen Jump.





Contudo, o herói da trama, Gon Freecs, tem uma motivação que vai além da descrita nesta definição. Ao ser salvo das garras de uma criatura mágica por Kaito, Gon descobre que este se trata de um Hunter, e que seu pai, também um Hunter, é seu mestre. Este encontro ascende em Gon uma vontade implacável de encontrar seu pai, e o garoto deixa sua ilha para prestar o famoso Exame Hunter, a fim de se tornar também parte desta, que notoriamente é a casta mais elevada do universo de Hunter x Hunter.
Bom, ao leitor que não conhece a história pode parecer que este é um enredo bem pouco original, afinal não são raras as histórias de garotos que sonham em encontrar seus pais e que, portanto, se lançam em aventuras; mas é importante ressaltar que, não obstante o enredo simples – em sua essência – o grande trunfo de Hunter x Hunter é a forma como o Togashi arma e desenrola a trama.



Exame Hunter


Sem os habituais capítulos introdutórios que, às vezes, desencorajam os leitores, Hunter x Hunter vai direto ao ponto, e já no primeiro capítulo Gon já está a bordo do navio que o levará as suas aventuras. Inocente, talvez mais do que sua pouca idade (12 anos) tolerasse, Gon se vê em meio a uma tripulação hostil, todos alimentando o mesmo desejo: tonar-se um Hunter profissional.

Entre eles, dois que se tornarão parte da espinha dorsal da história (ao menos neste princípio): Kurapica e Leório.
O primeiro conta com mais uma motivação dessas que os leitores estão carecas de ler: vingança por seu povo dizimado. Kurapica sonha em ser um Hunter de Lista Negra (caçador de criminosos); a princípio se mostra arrogante, porém perspicaz e muito inteligente e, em parte por sua história clichê (aqui é importante fazer uma ressalva: a história de Kurapica fica bem mais interessante no decorrer do mangá, e isso será tratado mais pormenorizadamente no momento oportuno) acabou sendo odiado por muitos fãs da série.
Leório se mostra ganancioso, alegando buscar apenas benefícios financeiros da posição de Hunter, mas, mais tarde, ele revela a sua real motivação que, aliás, é bem mais nobre: quer ser médico e precisa de dinheiro para custear seus estudos.
Dessa forma Togashi já lança, sem rodeios, três de seus principais personagens, com os quais o leitor já vai se afeiçoando, seja para o bem, ou para o mal.
Os três (Gon, Kurapica e Leório) passam por algumas provações até finalmente chegar ao local do Exame, onde encontram um ambiente austero e concorrentes frios.
Aqui apresentasse outro personagem principal e um dos fios-condutores da série: Killua.
Um garoto da idade de Gon, que rapidamente tornasse seu amigo e que tem um passado bastante incomum para uma criança – é membro de uma famosa família de assassinos profissionais e veio para o Exame apenas para se divertir.
Forma-se assim o quadro dos mocinhos da trama: Gon, Killua, Leório e Kurapica. É inevitável não comparar este quarteto ao da série Yu Yu Hakusho, também do Togashi, tanto pela aparência dos personagens, quanto pelas suas características mais superficiais. Porém, este não é o cerne da questão.
Ao passo que Yu Yu Hakusho era embasado firmemente nos termos de lutas entre personagens, em Hunter x Hunter o autor explora outras formas de argumentação, e assim as lutas são mais escassas, porém isso nem de longe deixa o mangá maçante ou entediante – ao contrário, ganha em enredo e isso maximiza o impacto dos momentos de ação, quando aparecem.
Mas, ainda assim este se trata de um mangá da Shonen Jump, e portanto não falta luta!
Os personagens principais passam por diversas provas no Exame Hunter, enfrentando obstáculos impostos pelos examinadores, e por outros concorrentes; dentre eles, o mais perigoso é Hisoka, uma homem vestido de palhaço que causa terror entre os participantes do exame e que demonstra ter certo interesse em Gon e Killua (mais para frente este “interesse” se mostra bem mais estranho, mas enfim... etc.).
O conflito entre os participantes do Exame é inevitável e muita luta e ação se desenrola durante as provas, e como é praxe nas publicações da Shonen Jump, os mocinhos vão superando-os com a força da amizade e boa dose de determinação. Não será assim sempre, como os próximos posts sobre este mangá revelarão.
Ao fim, depois de muitas baixas entres os aspirantes a Hunters profissionais, chega-se a última prova que é nada mais, nada menos, do que um Torneio entre os classificados (Lembra ou não lembra o Torneio das Trevas?). Mas este torneio tem regras diferentes, que prefiro não revelar aqui, mas que o leitor vai achar interessante.




        A Família Zaoldyeck



Por fim, um incidente durante a prova faz com que o Killua tenha que voltar apara sua casa, e Gon, certo de que isso não é o desejo de Killua, está decidido á ir resgatá-lo. Para esta empreitada, juntam-se a ele Kurapika, que está esperando por uma certa data para encontrar-se novamente com Hisoka em um novo arco do mangá, e Leório; juntos eles chegam a casa dos Zaoldyeck, a família de Killua.
O universo de Hunter x Hunter é mesmo muito violento – não bastassem as mortes em massa durante o exame (o que já é bastante horrível para imaginar em um mundo comum) o que evidencia ainda mais esta assertiva é o fato de que a casa dos Zaoldyeck, notória família de assassinos profissionais é (pasmem!), um ponto turístico! As pessoas vão até lá em excursões e tiram fotos da propriedade da família, enquanto uma guia conta detalhes da família e insta-os a tirarem fotos.
Em uma dessas excursões chega o trio de heróis, no entanto eles têm dificuldade para poder visitar o amigo, e para isso precisam passar por um treinamento de força física.
Esta é uma parte que o Yoshihiro Togashi poderia ter maneirado um pouco... quer dizer, os personagens, ao fim do treinamento, são capazes de mover toneladas! Desnecessário, na minha opinião – um exagero, na verdade.
Enfim, passados por estas e outras tantas dificuldades, Killua volta a se unir ao grupo, que, mais uma vez, se separa.
Mais um trunfo para o autor: os personagens tem suas próprias motivações, eles não têm que andar juntos a todo momento só porquê sim. Kurapika tem seus assuntos, e portanto vai cuidar deles; Leório tem seu sonho e vai em busca de realizá-lo. O grupo se separa e não volta a se unir até o encontro em York Shin, que será tratado no próximo post.
 Sobram então Gon e Killua, que imediatamente pensam que seria melhor que Gon melhorasse suas técnicas de luta, a fim de devolver um favor a Hisoka, e que precisam de dinheiro também.
E como ele conseguirão isso?
Ora, dando porrada em todo mundo, naturalmente!




       A Arena Celestial


Gon e Killua chegam a uma torre de batalhas aonde se ganha dinheiro à medida que se vai vencendo adversários e subindo os andares. Como era de se esperar, e como é normalmente
nos mangás desta estirpe, os protagonistas não tem dificuldades com os primeiros adversários (como nos torneios de Dragon Ball, lembram? Goku? Kuririn?). Mas nos andares superiores eles descobrem adversários fortes, e um tipo de poder desconhecido para eles: o Nem!
Nem é o tipo de “poder” de Hunter x Hunter, assim como KI é o poder em DBZ, chakra em Naruto, Cosmos em CDZ e tantos outros. Mas há uma diferença que, na minha opinião, é gritante entre estes tipos de poderes: o Nem é muito mais complexo e mais interessante.
Enquanto os demais poderes são basicamente bolas de energia lançadas contra o adversário, o Nem permite ao usuário criar seu próprio poder, de acordo com seu tipo dentre os seis tipos de hatsu e sua personalidade. É interessante como o Togashi usa sua mente doentia para criar poderes cada vez mais complexos e cheios de regras e condições para usá-los! Isso é genial!

A partir daqui o leitor deverá notar que Hunter x Hunter começa a esquentar mesmo!
Bom, Gon e Killua aprendem o Nem com um mestre que os ensina, e deixam a Arena Celestial após isso, sabendo segundo seu mestre que, aprender a manipular o Nem é a última prova para se tornar um Hunter de verdade.
Após deixar a arena Celestial, Gon e Killua voltam a Ilha da Baleia, de onde veio Gon, e lá encontram pistas sobre Ging, pai de Gon. A pista os levará ao leilão de York Shin, onde reencontrarão seus amigos, e que é, para mim, o melhor arco da série!


Estas primeiras partes do mangá apresentam ao leitor a universo de Hunter x Hunter, seus principais personagens, os conceitos gerais, sem cansar ou desmotivar o leitor a prosseguir a leitura. O traço característico do Togashi (às vezes bem desleixado, afinal é um grande preguiçoso) é um charme e dá muito sentimento aos personagens; a história envolve, os personagens cativam, as cenas deixam o leitor sentir a ação ou tensão de maneira ímpar.
Hunter x Hunter não é um shonen comum, não se trata de violência desmedida a troco de nada – antes, é inteligente, e revolucionário em certos aspectos.
Meu próximo post tratará dos acontecimentos a partir de onde parei agora e entrará de vez na genialidade de Togashi que fez de Hunter x Hunter sua melhor obra publicada.


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